Surto de Cólera em Moçambique após Cheias faz vítimas mortais

Cólera em Moçambique provoca quatro mortos em quatro dias

Cólera em Moçambique: surto provoca quatro mortos em quatro dias

Doença já soma 36 óbitos e mais de três mil casos desde setembro

Data: 29 de Janeiro de 2026
Resumo: O surto de cólera em curso em Moçambique continua a agravar-se, com quatro mortes registadas em apenas quatro dias. Desde setembro, o país contabiliza 3.091 casos e 36 óbitos, sendo a província de Nampula a mais afetada.

Um surto de cólera em Moçambique matou quatro pessoas em quatro dias e totaliza agora 3.091 casos e 36 mortos desde setembro do ano passado. A informação consta do mais recente balanço diário da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados reportados até ao dia 27 de janeiro.

Apenas nas 24 horas que antecederam o fecho do boletim epidemiológico foram registados 56 novos casos, confirmando a tendência crescente da doença no país. A taxa de letalidade subiu para 1,2%.

O impacto do surto é mais acentuado nas regiões centro e norte de Moçambique. A província de Nampula concentra cerca de metade das infeções, com 1.546 casos e 19 óbitos. Segue-se Tete, que regista 1.075 infeções e 15 mortes, enquanto Cabo Delgado contabiliza 470 casos e dois óbitos.

As quatro mortes mais recentes ocorreram nas províncias de Nampula e Tete, segundo as autoridades sanitárias.

Este surto sucede a um episódio anterior da doença, registado entre outubro de 2024 e julho de 2025, que provocou 64 mortos entre 4.420 infetados. No total do ano passado, a cólera terá causado pelo menos 169 mortes, num universo estimado de cerca de 40 mil casos, de acordo com dados apresentados pelo ministro da Saúde, Ussene Isse, no parlamento.

“Recebemos cerca de 3,5 milhões de doses de vacinas para poder tratar e prevenir a cólera”, afirmou o governante, sublinhando, no entanto, que cerca de 70% das mortes registadas em 2025 ocorreram nas comunidades, longe das unidades sanitárias.

O ministro alertou para a necessidade urgente de reforçar a comunicação com as populações e apelou ao cumprimento rigoroso das medidas de higiene individual e coletiva, essenciais para travar a propagação da doença.

O Governo de Moçambique estabeleceu como meta a eliminação da cólera como problema de saúde pública até 2030. O plano nacional, aprovado em Conselho de Ministros a 16 de setembro, está orçado em 31 mil milhões de meticais, o equivalente a cerca de 418,5 milhões de euros.

As autoridades reconhecem que o sucesso da estratégia dependerá não apenas do reforço do sistema de saúde, mas também do combate às causas estruturais da doença, nomeadamente o acesso limitado à água potável, ao saneamento básico e à informação junto das comunidades mais vulneráveis.

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