Os Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa (SSCML) enfrentam uma grave crise financeira que ameaça a continuidade da entidade responsável por prestar apoio médico e social a mais de 24.500 trabalhadores, ex-trabalhadores e familiares ligados à autarquia.
✔ Fundos patrimoniais negativos: -609.022€
✔ Liquidez geral negativa: -1.646.973€
✔ Resultado líquido negativo: -758.000€
✔ Autonomia financeira: -19%
✔ Solvabilidade: -16%
✔ Índice de endividamento: 119%
Auditorias alertam para risco de continuidade
A certificação legal de contas revelou uma situação financeira desequilibrada, com fundos patrimoniais negativos e sérios problemas de liquidez. Os revisores de contas alertaram para a existência de uma “incerteza material” que pode comprometer a capacidade da entidade continuar a operar.
O Conselho Fiscal chegou a chumbar as contas, sublinhando o agravamento crónico dos resultados e o crescimento das despesas com pessoal e património, que atingiram cerca de 5,5 milhões de euros — valor superior às receitas próprias, estimadas em 3,7 milhões de euros.
Administração promete plano de recuperação
A atual administração, liderada por Rui Cordeiro, que tomou posse há quatro meses, reconhece dificuldades estruturais e conjunturais, incluindo o aumento dos custos operacionais e o reforço do investimento na área médica.
Segundo fonte oficial, está a ser preparado um plano de recuperação financeira que incluirá:
- Monitorização mensal da execução orçamental
- Reforço do controlo da despesa
- Racionalização de custos
- Gestão ativa do passivo de curto prazo
- Medidas estruturais para recuperação dos fundos patrimoniais
Aumento salarial da administração gera polémica
Apesar das recomendações para redução de encargos com pessoal, os vencimentos do Conselho de Administração aumentaram 9% entre 2025 e 2026. A despesa com remunerações subiu 13.500 euros, associada à decisão de colocar cinco administradores a tempo inteiro.
A administração justifica o aumento com a aplicação da atualização legal prevista na Tabela Remuneratória Única.
Contratos atribuídos à mesma família levantam desconforto
Desde 2020, os SSCML celebraram contratos públicos que totalizam quase 300 mil euros com empresas ligadas à mesma família, envolvendo serviços de consultoria financeira, contabilidade e auditoria organizacional.
A administração garante que algumas dessas entidades já não mantêm vínculo contratual desde 2022 e afirma ter criado uma área de Auditoria Interna e Compliance para reforçar mecanismos de controlo, transparência e prevenção de riscos.
Moedas recusa comentar
Confrontado pelos jornalistas, o presidente do Conselho Metropolitano de Lisboa, Carlos Moedas, recusou comentar o caso.
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